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O que você entende por Governança Corporativa? É provável que, pensando por um instante no termo, você se aproxima bem de seu conceito básico, mas é preciso mais do que isso.

O motivo é simples: uma boa governança pode ser determinante para a sobrevivência, crescimento e sucesso de uma organização. Isso porque favorece a boa gestão, aumenta o valor da marca e garante a longevidade da empresa.

Neste conteúdo, explicamos melhor cada um desses pontos e destrinchamos tudo o que faz parte da Governança Corporativa para que você saiba como aplicá-la em sua organização.

Para facilitar a leitura, você pode se guiar pelos tópicos abaixo:

O que é Governança Corporativa?

Imagem de mulher em ambiente corporativo usando roupa social sentada à mesa. Ela segura uma caneta entre os dedos com a mão fechada em punho e está apoiando a cabeça nessa mão. Ela olha para outra mulher a sua frente representando governança corporativa.

De forma simples, uma boa definição de Governança Corporativa é a do conjunto de boas práticas para gerir uma empresa, garantindo mais eficiência e transparência.

O primeiro código de Governança Corporativa foi publicado no início dos anos 90, mas a ideia de definir regras e processos ganhou força mais recentemente, quando a preocupação com ações anticorrupção aumentou no universo empresarial.

Com isso, a Governança Corporativa se tornou não apenas um instrumento de boa gestão, mas capaz de estabelecer a confiança entre a organização e seus investidores, aumentando a capacidade de atração de recursos.

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Assim, a Governança envolve, direta e indiretamente, os diretores, acionistas e investidores, e os órgãos fiscalizadores, sendo uma prática focada no equilíbrio entre os interesses das partes envolvidas.

Para tanto, a Governança Corporativa busca preservar os princípios da boa gestão, da ética e do desenvolvimento econômico, além de promover um alinhamento estratégico para que todos os setores da organização conheçam e respeitem as políticas definidas.

Qual o principal conceito de governança?

A palavra governança tem origem em um vocábulo grego que significa direção. Assim, o principal conceito de governança é o de dirigir algo, no sentido de exercer o poder para governar.

Esse exercício do poder é feito por meio de um conjunto de ações que definem responsabilidades e os processos a serem seguidos para a conquista dos objetivos, favorecendo também a gestão de metas.

É algo que se aplica à sociedade, economia, gestão pública, empresas e outros, com eventuais adequações no conceito e na prática. No universo corporativo, como já indicamos, a governança engloba outras ideias, como explicamos.

Governança Corporativa é o mesmo que compliance?

O compliance diz respeito ao cumprimento de regras internas e externas, e à adoção de medidas que permitam que a missão, visão e valores de uma organização sejam colocados em prática.

Não é sem motivo que os conceitos se confundem, inclusive porque o compliance, como base para o desenvolvimento da cultura organizacional, também pode favorecer a transparência nas ações e processos.

Entretanto, os focos são diferentes. A Governança Corporativa tem uma preocupação mais evidente em guiar o relacionamento entre as partes interessadas em uma empresa, criando um ambiente favorável para o desenvolvimento dos negócios.

Para que serve a Governança Corporativa?

É comum o entendimento de que a Governança Corporativa funciona como um instrumento anticorrupção e, embora isso também seja verdade, não diz tudo.

Esse conjunto de boas práticas serve para direcionar a gestão da empresa da melhor forma possível para que seus objetivos sejam alcançados, assegurando o valor da organização e sua longevidade.

O direcionamento que mencionamos é dado a partir das regras que definem processos e responsáveis na tomada de decisão, e dando mais agilidade, autonomia e transparência às atividades da organização.

É por meio da Governança Corporativa que são definidas as respostas para perguntas como:

  • Quem deve aprovar este orçamento?
  • Quem participa desta votação?
  • Quem dá a palavra final sobre este assunto?
  • Qual a frequência da reunião do conselho?

Com base nessas definições, fica mais fácil evitar conflitos, resolver impasses e manter o equilíbrio desejado na tomada de decisões acerca dos rumos da empresa. E é para isso que a Governança Corporativa serve.

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Como funciona a Governança Corporativa?

A Governança Corporativa funciona a partir da definição de regras, auditorias e da adoção de mecanismos de restrição de autonomia.

Um conjunto que norteia o desenho de um planejamento e estratégias, análises, e fiscalizações para alinhar as práticas de desenvolvimento econômico aos valores da organização, considerando o cumprimento de leis e mantendo o equilíbrio com o desejo dos acionistas.

  • Regras: normas que definem a estrutura da organização e apontam o qual é o comportamento adequado da alta-gestão, de forma a orientar a tomada de decisões;
  • Auditorias: instrumentos de fiscalização e auditoria são fundamentais para chegar o cumprimeito de regras e monitorar as ações da alta-gestão da empresa;
  • Restrições de autonomia: as medidas que restringem a autonomia limitam a atuação da alta-gestão de modo a evitar conflitos e garantir o equilíbrio entre os interesses da organização e o de seus investidores.

Quais são os princípios da Governança Corporativa?

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) indica que existem quatro princípios básicos que norteiam, em menor ou maior grau, todo manual de Governança Corporativa. São eles:

  • transparência;
  • equidade;
  • prestação de contas;
  • responsabilidade corporativa.

Entender esses princípios é essencial para qualquer empresa que deseja ir além da definição de Governança Corporativa para colocá-la em prática de forma efetiva. Então, vamos nos aprofundar um pouco mais.

Transparência

A transparência indica que todas as informações que sejam de interesse das partes envolvidas devem ser disponibilizadas e facilmente acessadas. Isso significa ir além das informações que devem ser compartilhadas obrigatoriamente, por força da lei.

Com base nesse princípio, a organização pode definir o envio de boletins ou outros informes econômico-financeiros e outros que reúnam dados e outros fatores, inclusive intangíveis, que retratem a tomada de decisões e o cumprimento de processos.

A ideia é mostrar que a empresa está agindo com ética, em conformidade com as regras e diretrizes definidas

Equidade

A equidade é o princípio que reforça a ideia do equilíbrio. Indica que tanto a empresa quanto as demais partes envolvidas devem ser tratadas de forma equânime e justa, tendo seus direitos, deveres, necessidades e interesses levados em consideração.

Algo que também leva ao entendimento de que não deve haver distinção baseada em fatores como o cargo ou o nível de participação na organização.

Prestação de contas

A prestação de contas ou accountability deve ser feita acerca da atuação dos agentes da Governança Corporativa, sobretudo no que diz respeito às questões econômico-financeiras.

Cada agente deve assumir as consequências de suas ações, com base em uma prestação de contas que deve ser feita e apresentada periodicamente, de modo claro e conciso.

Responsabilidade corporativa

Por fim, a responsabilidade corporativa diz respeito ao zelo a todo ambiente em que a empresa está inserida, visando reduzir os impactos negativos de sua atuação e potencializar os impactos positivos.

É algo que considera o modelo de negócios, a responsabilidade financeira, ambiental e social. O que, inclusive, oportuniza uma conexão com as medidas de ESG ― Environmental, Social and Governance.

Quais são os benefícios para a empresa?

Governança Corporativa é a típica conversa de gente grande: é algo sério, de grande importância e que dá trabalho, sobretudo no processo de estruturação e implementação.

Então, nada mais justo que existam benefícios que justifiquem todo investimento de tempo e recursos que sua organização vai ter para estruturá-la. Conheça os principais a seguir:

Favorece uma gestão transparente e eficiente

Toda organização quer uma gestão eficiente, capaz de gerar resultados para crescer, lucrar e atrair investidores. A questão é que isso precisa ser feito com transparência, respeitando leis, normas e regras internas.

A Governança Corporativa contribui para que isso aconteça justamente porque envolve todas as partes interessadas. Considere, por exemplo, que investidores podem aumentar ou retirar seu apoio com base nas práticas de uma organização.

Evita conflitos e escândalos

Aliada às boas práticas fundamentadas na ética no trabalho e nos valores organizacionais, a Governança Corporativa reduz as chances de falhas processuais ou escândalos de corrupção, além de mediar o relacionamento entre as partes.

Entenda que, em geral, a corrupção ocorre quando os interesses de uma ou mais partes são colocados acima dos interesses da organização, quebrando o equilíbrio que a governança visa proteger.

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Inclusive, foi justamente para evitar conflitos e problemas do tipo que os primeiros Còdigos de Governança Corporativa foram publicados, no início dos anos 90.

Fortalece o compliance

A Governança Corporativa deixa ainda mais claras as diretrizes que servem de base para o compliance, fazendo com que seja mais fácil entender e cumprir as regras internas, aliando-as ao respeito à missão, visão e valores da empresa.

Valoriza a imagem da empresa

A Governança Corporativa favorece a valorização da imagem da empresa porque adota medidas éticas, promove valores positivos e oportuniza a prestação de contas à sociedade.

Isso quer dizer que a governança contribui para que uma organização aja de forma correta e, consequentemente, construa uma imagem mais positiva perante os públicos interno e externo.

Atrai investidores

A boa gestão e a transparência promovidas pela Governança Corporativa fazem com que uma empresa funcione bem e tenha uma boa reputação, melhorando sua capacidade de atrair investidores e outros parceiros de negócios.

Isso porque é natural que empresas bem geridas tenham mais chances de crescer e gerar lucro para as partes envolvidas.

Aumenta o valor de mercado da empresa

Lembra-se de que dissemos que a Governança Corporativa serve para assegurar o valor e a longevidade de uma empresa? Isso acontece por consequência dos demais pontos que levantamos aqui.

A empresa se torna mais valiosa e competitiva em decorrência da boa gestão, transparência, conquista de resultados, atração de investidores e mais. Internamente, fatores como a melhoria da capacidade de retenção de talentos também valorizam a marca da empresa.

Quais são os principais impactos da Governança Corporativa?

Para ser capaz de favorecer o equilíbrio, a Governança Corporativa também deve ser equilibrada. Quando isso acontece, seus impactos são positivos, favorecendo o aumento do valor da empresa e sua longevidade, como já mencionamos.

Entretanto, se definida e conduzida de forma errada, a governança pode ser forte demais ou fraca demais. E ambos os casos têm consequências negativas para a organização.

Uma Governança Corporativa muito forte reduz a autonomia de quem administra a empresa, uma vez que a decisão fica nas mãos de outras pessoas. Isso pode prejudicar os processos diários e o desempenho do negócio como um todo.

Por sua vez, uma governança muito fraca abre espaço para que quem administra a organização imponha seus interesses, afetando o equilíbrio e prejudicando as metas da própria empresa.

Por tudo isso, o principal desafio é adequar os instrumentos de controle para que excessos, para mais ou para menos, sejam evitados.

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Como aplicar a Governança Corporativa na empresa?

Logo mais você vai entender que não existe só uma forma de Governança Corporativa. E isso significa que é preciso entender como esse instrumento pode ser usado a favor de cada empresa ― da sua empresa ― e como implementá-la a partir disso.

Confira algumas dicas essenciais:

1. Entenda como a Governança Corporativa se encaixa na empresa

O primeiro passo é entender como a Governança Corporativa se encaixa na realidade da empresa. Algumas precisam de um nível de controle maior porque atendem a interesses muito plurais, mas essa não é a realidade de todas.

Assim, é preciso refletir sobre o que se espera que a governança cumpra para sua organização, antes de começar a desenhá-la e colocá-la em prática.

2. Conheça a estrutura de uma Governança Corporativa

Ainda, é preciso entender que a estrutura da Governança Corporativa pode mudar de acordo com o país, a cultura local e a cultura organizacional de cada empresa.

Em outras palavras, não existe apenas uma forma de estruturação a ser seguida, sendo possível buscar ajustes para que a Governança Corporativa seja adequada à realidade da organização.

Assim, apenas para que você tenha uma ideia, veja a seguir uma estrutura básica que pode servir de referência:

  • Assembleia Geral: composta por todos os sócios; 
  • Conselho Administrativo: responsável pela visão estratégica;
  • Conselho Consultivo: presta apoio às decisões e estratégias;
  • Conselho Fiscal: responsável por fiscalizar e checar;
  • Comitês: criam relatórios que orientam a tomada de decisões;
  • CEO, presidente e diretoria: executa as estratégias e segue o planejamento definido.

3. Estabeleça uma hierarquia clara

Como parte da estruturação da Governança Corporativa, também é preciso desenhar a hierarquia organizacional, de forma clara. Cada pessoa da empresa precisa saber a quem responder e quem toma as decisões finais.

Isso é importante para o fluxo de processos diários de trabalho, em situações corriqueiras vividas pelos colaboradores. E também para que, frente a um impasse de decisão estratégica que afete toda a empresa, esteja claro quem tem a palavra final em cada caso.

4. Realize reuniões de acompanhamento de projetos

Reuniões entre equipes, sócios e o Conselho Administrativo visando acompanhar projetos, definir novos planos e comunicar diretrizes são fundamentais para solidificar e estimular a Governança Corporativa.

A ideia é que se mantenha um controle, de fato, da eficiência e do progresso da organização. Sendo importante também que todas as reuniões sejam devidamente documentadas.

Isso porque em casos de auditoria, publicação de relatórios a favor da transparência, conquista de novos investidores e outros, o histórico de dados da empresa é necessário.

As atas de cada reunião, junto a balanços financeiros, projeções e outros documentos compõem esse histórico e podem ser usados para embasar a tomada de decisões e prestar contas aos sócios e à sociedade.

5. Forme um Conselho Consultivo

Por fim, a aplicação da Governança Corporativa também orienta a criação de um Conselho Consultivo, para que a empresa conte com sugestões de profissionais experientes, capazes de direcionar a tomada de decisões.

Esse conselho deve ser formado por profissionais experientes e de diferentes perfis, que tenham enfrentado desafios similares ao que a empresa esteja enfrentando no momento.

Em geral, o grupo é composto por três a cinco pessoas de confiança e dispostas a participar de reuniões periódicas para tratar de assuntos como ganho de eficiência, aumento do valor de marca, inovação e outros.

Principais dúvidas sobre Governança Corporativa

O tema é complexo e, por essa razão, destacamos aqui os pontos mais importantes para esclarecer eventuais dúvidas que você ainda tenha sobre o que é Governança Corporativa. Confira:

O que é?

O conceito de Governança Corporativa é de um conjunto de práticas e regras que definem como uma empresa deve ser gerida, de modo a garantir eficiência, transparência e o equilíbrio de interesses.

Para que serve?

Entre outras coisas, a Governança Corporativa serve para direcionar a gestão da empresa para que as decisões tomadas favoreçam a conquista de objetivos, aumentem o valor da organização e garantam sua longevidade.

Quais são os princípios básicos da Governança Corporativa?

São quatro os princípios da Governança Corporativa: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.
Além disso, é importante citar também a necessidade de regras, auditorias e restrições de autonomia como elementos fundamentais para a conquista do equilíbrio na gestão, um dos focos principais da governança.

Quais impactos para a empresa?

Quando bem estruturada e conduzida, os principais impactos da Governança Corporativa são o aumento do valor da empresa e sua longevidade, fatores favoráveis ao sucesso duradouro.

Passo a passo para aplicar a Governança Corporativa?

Embora a aplicação da Governança Corporativa seja um processo complexo, a base do passo a passo engloba as seguintes etapas:
1. entender como a governança corporativa se encaixa na empresa
2. conhecer a estrutura de uma governança corporativa;
3. estabelecer uma hierarquia clara;
4. fazer reuniões de acompanhamento de projetos;
5. formar um Conselho Consultivo.

Governança Corporativa, responsabilidade e ESG

Para fechar, além de entender o que é Governança Corporativa, nossa última dica é para que você busque compreender como esse conceito se relaciona com outras práticas importantes para a gestão empresarial.

Mencionamos que um dos pilares da governança é a responsabilidade corporativa que, por sua vez, tem relação com o cuidado com o ambiente que a empresa se insere e os impactos que causa.

Esse impacto pode ser econômico e financeiro, mas também ambiental e social. Falar sobre isso é um convite a falar também sobre ESG, outro conceito que sua empresa deve conhecer e que pode considerar na hora de aplicar a Governança Corporativa.

Sendo assim, aproveite para se informar sobre o que é ESG e o que essa sigla significa para sua empresa!

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