Inteligência Emocional na Contratação: Como Aplicar?

Tempo de Leitura: 6 minutos A inteligência emocional de um profissional e sua habilidade de identificar e gerir emoções pode ser analisada ainda no processo de recrutamento e seleção. Entenda o que seu DP pode fazer!

13 setembro 2022 25 maio 2023 6 minutos FotoPOR: Júlia Vieira
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Tempo de Leitura: 6 minutos

Tecnologias baseadas em inteligência artificial já estão fazendo parte dos processos do DP em diversas empresas. Ao passo que as máquinas ganham mais espaço, o apelo pelo lado humano também fala alto.

Um dos temas que entra em cena é a inteligência emocional, uma competência repetidamente destacada como imprescindível para o profissional do futuro e, consequentemente, a inteligência emocional na contratação.

Ainda que seu DP use softwares para otimizar o recrutamento e seleção de pessoas candidatas, é estratégico conduzir esse processo avaliando como cada profissional lida com as próprias emoções no trabalho.

Vou te explicar por que isso é importante e, ainda, contar como considerar a inteligência emocional na composição do quadro de funcionários. Acompanhe comigo!

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Por que empregar a inteligência emocional na contratação?

pessoa de roupa social em frente a notebook e xícara sorrindo representando inteligência emocional da contratação

A inteligência emocional não está na grade curricular das escolas e universidades, mas as habilidades atreladas a essa competência são essenciais no mercado de trabalho atual. Assim, nada mais natural do que avaliá-las no processo de R&S.

Em outras palavras, esse tipo de inteligência tem a ver com aquilo que sua empresa espera de profissionais para além de suas competências técnicas e de um currículo “vistoso”.

Tem a ver com aquilo que garante que uma pessoa contratada vai ser capaz de lidar com eventuais momentos de mais estresse, conseguir trabalhar bem em equipe e até exercer uma liderança positiva.

Para além das competências técnicas, o cerne de uma empresa tem a ver com suas pessoas e como elas se relacionam para, juntas, alcançarem objetivos em comum visando o sucesso do negócio.

Sem inteligência emocional, as pessoas não conseguem fazer isso. Assim, empregar inteligência emocional na contratação é evitar escolhas equivocadas que aumentem o turnover e assegurar que as pessoas contratadas entreguem bons resultados.

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O que é inteligência emocional?

Tudo fica mais claro quando entendemos o conceito. Em outro artigo do blog, a inteligência emocional foi apresentada como sendo a “habilidade de identificar e gerir as próprias emoções e entender as dos outros“.

Isso tem a ver com a forma como cada pessoa interage com os próprios sentimentos e como percebe, compreende e lida com os sentimentos das outras pessoas.

Se, antigamente, existia um acordo velado de que emoções e local de trabalho não combinam, hoje, essa percepção tem mudado. Até porque o sentir é natural da vivência humana tanto no contexto pessoal quanto profissional e impacta as ações e o desempenho de cada colaborador.

Outras leituras que podem ser úteis a você:

Quais as vantagens em empregar a inteligência emocional na contratação?

Agora que você já sabe o que é, quero ajudar você a entender melhor o que sua empresa ganha ao empregar inteligência emocional na contratação. Algumas delas, eu já até compartilhei, olha só:

Aumenta o sucesso da contratação

Empresa nenhuma gosta de passar pelo processo de recrutamento, seleção e onboarding para só depois descobrir que a pessoa escolhida não é a mais bem preparada ou não tem afinidade com a cultura e os objetivos.

Incluir a avaliação de inteligência emocional na contratação aumenta as chances de um bom match, ou seja, ajuda a garantir que a pessoa contratada seja realmente a mais adequada para a vaga.

Com isso, o DP não corre tanto risco de viver em uma rotina constante de burocracias de rescisão contratual, abertura de vaga e burocracias de admissão de novos colaboradores.

Favorece o desempenho e o engajamento pessoal

É necessário que as empresas se preocupem em gerar bem-estar emocional para seus colaboradores e o DP participa disso. Entretanto, o ambiente de trabalho tem situações estressantes, em menor ou maior nível.

A inteligência emocional na contratação permite que os recrutadores identifiquem, logo nas primeiras etapas do processo, quais são as pessoas capazes de lidar bem com adversidades e se adaptar e quais não.

O mesmo vale para entender quais conseguem trabalhar bem as próprias emoções para usá-las a seu favor no desempenho de suas funções, entregando melhores resultados.

Contribui para o trabalho em equipe e os resultados

Embora a inteligência emocional seja uma competência de cada indivíduo, seu reflexo na convivência com a equipe merece atenção uma vez que engloba habilidades socioemocionais como:

  • capacidade de se preocupar com as outras pessoas;
  • senso de cooperação;
  • sociabilidade;
  • percepção social;
  • empatia;
  • comunicação positiva. 

O famoso “saber trabalhar em equipe” que há tantos anos figura nas descrições de vagas de trabalho está aí, na inteligência emocional.

Isso porque o que buscamos são pessoas capazes de se relacionar bem, o que pressupõe saber como se conectar com as demais de forma positiva e, portanto, com suas emoções.

Profissionais com mais maturidade emocional são melhores team players, ou seja, agregam mais valor às equipes e são mais capazes de agir para um resultado positivo para todos.

Favorece o desenvolvimento de lideranças

A contratação de pessoas para cargos de liderança é desafiadora. Por vezes, o que a empresa quer mesmo é encontrar alguém em seu quadro de funcionários com potencial para receber uma promoção e novas responsabilidades.

É mais fácil assegurar que isso seja possível quando o DP adota a inteligência emocional na contratação porque, como expliquei, isso aumenta as chances de que a pessoa se encaixe bem na empresa e se desenvolva bem também.

A inteligência emocional é fundamental para bons líderes porque é papel desses profissionais identificar as emoções das pessoas de suas equipes e direcioná-las a partir daí.

Como avaliar a inteligência emocional na contratação do candidato?

Para avaliar pessoas candidatas, o DP precisa empregar inteligência emocional, primeiro, em si. Ou seja, quem for responsável pelo recrutamento e seleção precisa dispor dessa inteligência para praticar a escuta ativa e identificar emoções.

Além disso, é possível estruturar parte da entrevista com o objetivo de compreender o nível de maturidade emocional dos profissionais. Veja alguns exemplos de perguntas úteis:

Autoconhecimento: quais são seus talentos?

O autoconhecimento, bem como a autoconfiança, são características de inteligência emocional.

Pessoas que sabem o que falar sobre si mesmas demonstram sua capacidade de se avaliar, inclusive a partir da percepção das próprias emoções e potencialidades.

Assim, a ideia não é somente entender se o profissional tem as habilidades técnicas para o cargo, mas investigar suas competências socioemocionais.

Empatia: você conseguiria me ensinar algo agora?

Pedir que a pessoa ensine algo é uma estratégia interessante de inteligência emocional na contratação porque dá ao DP a oportunidade de avaliar uma série de coisas.

Ensinar demanda empatia para se colocar no lugar de quem não sabe algo, mas precisa entender. Também demanda paciência, compreensão, capacidade técnica e outras competências de interesse.

Relacionamento: você fez amizades duradouras nos empregos anteriores?

Amizades duradouras costumam ser reflexo de maturidade emocional mais alta. É essa inteligência que leva as pessoas a se preocuparem umas com as outras, a terem empatia e a trabalharem positivamente para manter relações.

No ambiente profissional, tudo isso é interessante porque indica qual tipo de impacto uma pessoa pode gerar em uma equipe e até no clima organizacional de maneira mais ampla.

Compatibilidade: se você fosse abrir uma empresa, quais seriam seus valores?

Toda empresa tem, ou deveria ter, sua missão, visão e valores definidos. Com isso em mente, a inteligência emocional na contratação permite avaliar o alinhamento, a compatibilidade entre contratante e pessoa candidata.

Isso é importante porque o engajamento e o desempenho de profissionais ― o famoso “vestir a camisa” ― depende muito mais da afinidade com a empresa e seus valores do que da competência técnica.

Flexibilidade: se as prioridades da nossa empresa mudarem, como você contribuiria em busca das novas metas?

Por fim, o último exemplo de pergunta que trago para você tem relação com uma habilidade de crescente importância: a de ser flexível ou adaptável a diferentes situações.

Com essa pergunta sobre as mudanças de prioridade, é possível avaliar a maturidade emocional também no que diz respeito ao pensamento estratégico e à capacidade de atuar em equipe.

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Conclusão

Incorporar a inteligência emocional na contratação é uma decisão estratégica que o DP deve tomar para formar um quadro de funcionários mais apto a conquistar os objetivos de negócios.

Para tanto, é preciso ter clareza do que analisar no contato com quem se candidata a uma vaga. Como vimos, a capacidade de identificar e lidar com as próprias emoções, bem como a das outras pessoas, e como isso se insere no contexto do ambiente de trabalho.

Os benefícios que decorrem da inteligência emocional na contratação vão além da escolha adequada de profissionais, ou seja, do sucesso do processo de R&S em si. No médio e longo prazo, a empresa também ganha com profissionais mais bem preparados e equipes mais fortes.

Há ainda duas questões a ressaltar. A primeira é que essa análise pode ser ainda mais decisiva no contexto do trabalho remoto. Justamente por serem mais diluídas, as relações no universo online demandam ainda mais capacidade de identificação e gestão de emoções.

Além disso, seu DP precisa saber que essa inteligência pode ― e deve! ― ser desenvolvida, sendo possível à empresa investir em ações para que isso aconteça. Cursos, palestras e outras medidas educativas podem focar em habilidades não-técnicas com esse objetivo.

Se interessou e quer se aprofundar no assunto? Confira o conteúdo que preparamos sobre competências socioemocionais e sua importância no trabalho!

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Foto de Júlia Vieira

Júlia Vieira

Graduada em Psicologia (PUC Minas), Coach (IBC), Especialista em Gestão de Pessoas (USP) e Ciência do Bem Estar (YALE). Possui 5 anos de experiência na área de Recursos Humanos. Hoje é responsável pela Estratégia de Pessoas na Maxtrack, um Hub mineiro de inovação em IoT. Compartilha conhecimento e vivências profissionais no LinkedIn, onde possui mais de 50mil seguidores na rede e engajamento de mais de 300mil pessoas. Atua com Atendimento Clínico online através da Teoria Cognitivo Comportamental e realiza Mentorias de Direcionamento Pessoal/Profissional.

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